A rivalidade dos pilotos James Hunt e Niki Lauda é o motor deste drama em alta velocidade conduzido com firmeza e estilo por Ron Howard. O diretor foi até a época em que o glamour das corridas de Fórmula 1 se confundia com o perigo muito real enfrentado por pilotos que testavam os limites da tecnologia e da velocidade. O cinema várias vezes procurou as corridas como pano de fundo para histórias de superação, mas a trajetória magnífica de Hunt e Lauda – entrecortada por sexo, bebibas, mulheres, acidentes, voltas por cima e o triunfo do espírito humano sobre a máquina fria – criou um filme espetacular, que ganha ainda mais fôlego com o trabalho irretocável de Chris Hemsworth e Daniel Brühl.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
FRANCES HA
A energia pura irradiada por Greta Gerwig no papel de Frances dá para iluminar uma cidade! Não existe tempo ruim para essa jovem de vinte-e-poucos anos em busca do rumo que vai dar à sua vida. Amizades desfeitas, corações partidos e um inacreditável fim de semana em Paris compõem o recorte tecido pelo diretor Baumbach (A Lula e a Baleia) e pela própria Greta, que dividem o roteiro (e, pelo visto, as escovas de dentes). Produzido pela brasileira RT Features, Frances Ha é filme independente em concepção, mas mundial em execução. Quando Frances passa um feriado em família, com todos os prós, contras, perguntas e cobranças, ela é gente como a gente. Ainda que infinitamente mais charmosa.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
OS SUSPEITOS
Neste thriller com Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal, a linha entre certo e errado, lei e justiça, culpados e inocentes, aparece borrada. Jackman é o pai que, após o desaparecimento de sua filha (e a de um amigo, interpretado por Terrence Howard), não mede esforços para encontrar o responsável. O único suspeito escorrega por entre os dedos de uma polícia atada por procedimentos, Jackman não quer deixar barato e… bom, e aí você pode imaginar. O diretor de Incêndios mostra que não há linha que um “homem de bem” não seja capaz de cruzar em sua busca pela verdade. Mas, afinal, quem é o dono da verdade?
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
GRAVIDADE
Cinema em estado bruto. Um filme de arte de 100 milhões de dólares. Um vislumbre do futuro do cinema. A tecnologia a serviço da narrativa. Uma atriz no auge de seu talento. Gravidade é o melhor filme de 2013. Quando falei sobre ele, duvidava que outro filme pudesse ser tão arrebatador, tão envolvente, tão espetacular. Pura mágica. Muito se falava e se especulava como o diretor ia conseguir prender a atenção do espectador com uma estória de uma pessoa pedida no espaço e nada mais, mas certemente ele conseguiu do início ao fim seu objetivo.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
CÍRCULO DE FOGO
Guillermo Del Toro colocou monstros gigantes descendo a lenha em robôs colossais, transformou tudo em um caso de família e criou um dos espetáculos mais sensacionais do ano. Círculo de Fogo, como eu escrevi na época de seu lançamento, adiciona humanidade ao cinema pipoca, equilibrando os personagens “de verdade” com as criaturas que brotam da imaginação do diretor. E poucas cenas este ano foram tão eletrizantes quanto a Batalha de Hong Kong. Já perdi a conta de quantas vezes eu revi o filme.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
ANTES DA MEIA-NOITE
O que é o amor? E o que ele se torna quando a paixão dá espaço à rotina? É essa jornada que o casal Jesse e Céline encara quando os reencontramos quase duas décadas depois da noite a dois em Viena, quando eram adolescentes, e praticamente uma década depois de seu reencontro em Paris, já adultos em busca de rumo. Ethan Hawke, Julie Delpy e o diretor Linklater criam a trilogia mais inusitada do cinema, um filme sobre adultos e para adultos. É verão, Jesse e Céline agora são casados e passam férias na Grécia com suas filhas. É também hora de redescobrir o significado de suas escolhas. Antes da Meia-Noite é imprevisível, agridoce, emocionante e arrebatador. Como o amor.
sábado, 25 de maio de 2013
O LOBO DE WALL STREET
Scorsese aposta pela quinta vez na estampa de Leonardo DiCaprio para conduzir uma trama acelerada, tragicômica e tão incrível que só podia ser verdade. O astro é Jordan Belfort, corretor em Wall Street que se aproveita de um mercado de ações confuso para, nem sempre dentro da lei, construir uma fortuna. Sua ascensão e queda parecem ser anabolizadas por cocaína, prostitutas e mais dinheiro que alguém pode gastar. Scorsese mergulha neste mundo e entrega um filme fascinante, em que mais uma vez DiCaprio prova ser um dos intérpretes mais completos de sua geração. Ainda assim, é Matthew McConaughey, no papel do mentor de Belfort, que resume em um diálogo arrasador o que é preciso para sobreviver no mar de tubarões que é o mundo de dinheiro e poder de Wall Street.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
TRAPAÇA
David O. Russell é como o dono de uma companhia teatral. Pega os melhores artistas de um trabalho (Christian Bale e Amy Adams, que com ele fizeram O Vencedor), adiciona performers de outra grande montagem (Bradley Cooper e Jennifer Lawrence, de O Lado Bom da Vida), pincela novas peças no tabuleiro (Jeremy Renner, Louis C.K.) e o resultado é… mágica! Trapaça é um filme sobre vigaristas. Bale e Adams, apaixonados um pelo outro e pela beleza dos golpes, sobrevivem numa boa ao garfar sempre peixes pequenos. J-Law é o outro lado da moeda, já que é casada com o personagem de Bale (e ilumina a tela sempre que está em cena). O policial Cooper dá as caras para a) desestabilizar o esquema e b) talvez ter um gostinho de como a vida do outro lado é boa. Quando a farsa ameaça cutucar jogadores perigosos de verdade (políticos, a máfia), é hora de buscar uma saída. Ou de mergulhar ainda mais fundo na trapaça. Um filme delicioso, com um elenco espetacular que nunca esteve tão em sintonia. Russell aperfeiçoou sua fórmula. Qual o passo seguinte?
terça-feira, 5 de março de 2013
THE WIND RISES
O mestre Hayao Miyazaki diz que The Wind Rises é sua despedida do cinema. Gênio por trás das obras primas Meu Amigo Totoro, Princesa Mononoke e A Viagem de Chihiro, aqui o diretor se afasta da fantasia e entra em terreno perigoso. Desde criança, Jiro tem um sonho: o de ganhar os céus. Como não pode pilotar (sua visão é frágil e não acompanha seu coração), ele passa a vida desenhando o avião perfeito – para a glória da nação japonesa, claro. A mesma nação que fazia um acordo com o Partido Nazista e entrava na Segunda Guerra Mundial. Ver seu sonho se tornar instrumento de destruição é o temor de todo artista. Miyazaki romantiza a biografia de Jiro (que morreu em 1982) e procura a beleza em meio ao caos. Pode ser uma busca sem fim. Mas a jornada, como mostrada em The Wind Rises, é de tirar o fôlego.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
FRUITVALE STATION – A ÚLTIMA PARADA
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
O GRANDE MESTRE
O mestre aqui é o diretor de Amor À Flor da Pele, um dos filmes mais espetaculares do cinema moderno. Wong Kar Wai não segue a cartilha de O Tigre e o Dragão ou Herói. Seu O Grande Mestre, baseado na vida do lutador Ip Man (grande performance de Tony Leung), entrecorta o velho e o novo, a tradição das artes marciais com o avanço inexorável do mundo moderno, de guerra e política, sem espaço para a honra. A cena inicial, um combate de um contra dezenas sob uma chuva inclemente, marca o estilo do diretor: não é a luta entre os homens que importa, e sim o combate interior para manter-se zen num mundo amoral.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
À Margem da Sociedade... Mas nem tanto
Ao contrário do Cinema Novo – movimento dos anos 60 de Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos – o Cinema Marginal não possuía uma coesão interna, sendo assim, não foi reconhecido como um “movimento”. Acabou sucumbindo no início dos anos 70 devido a uma série de fatores. Um deles era a pressão dos militares, que exilaram os diretores Julio Bressane e Rogério Sganzerla, idealizadores da produtora Belair. Fora isso, havia o desinteresse do mercado exibidor e do público.
O Cinema Marginal é reconhecido devido a características presentes em toda sua filmografia, a maneira como foram produzidos e a forma de divulgação. Alguns elementos estruturais conduzem as produções feitas pelos “marginais”: A contracultura, classicismo narrativo, presença de elementos abjetos, confronto com o público, citação das chanchadas, crítica à sociedade de consumo e da comunicação em massa. Além disso, houve uma abertura para elementos presentes nos filmes hollywoodianos.
Os primeiros longa-metragens do Cinema Marginal surgiram entre 1968 e 1969 e o filme mais famoso foi “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla. Devido a dificuldade em encontrar uma unidade para o segmento marginal, foi definido um grupo que produzia de forma mais coesa e se relacionava com mais proximidade: O Cinema Marginal Cafajeste.
Produzindo com pouco dinheiro e filmando de forma rápida, este segmento utilizava-se do erotismo e conseguia boa distribuição e público. Os diretores principais do “marginal cafajeste” são Carlos Reichenbach, Antônio Lima, João Callegaro, Jairo Ferreira e Carlos Alberto Ebert. Entre suas obras, muitas feitas em conjunto, destacam-se: “As Libertinas” (1969), de Reichenbach, Lima e Callegaro e “Audácia, Fúrias dos Desejos” (1970), de Reichenbach e Lima. Fora estes, há “República da Traição” (1970), de Carlos Alberto Ebert e “O Pornógrafo”, de João Callegaro. Bem próximo a este grupo localiza-se “A Mulher de Todos”, feito por Sganzerla em 1969.
Mais distante do esquema de produção marginal cafajeste encontra-se Andréa Tonacci com seu filme “Bang-Bang” e Ozualdo Candeias com “A Margem”, de 1967. Apesar deste último não ter uma relação direta com o grupo, a obra é citada como “filme-referência” do Cinema Marginal.
O Cinema Marginal é reconhecido devido a características presentes em toda sua filmografia, a maneira como foram produzidos e a forma de divulgação. Alguns elementos estruturais conduzem as produções feitas pelos “marginais”: A contracultura, classicismo narrativo, presença de elementos abjetos, confronto com o público, citação das chanchadas, crítica à sociedade de consumo e da comunicação em massa. Além disso, houve uma abertura para elementos presentes nos filmes hollywoodianos.
Os primeiros longa-metragens do Cinema Marginal surgiram entre 1968 e 1969 e o filme mais famoso foi “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla. Devido a dificuldade em encontrar uma unidade para o segmento marginal, foi definido um grupo que produzia de forma mais coesa e se relacionava com mais proximidade: O Cinema Marginal Cafajeste.
Produzindo com pouco dinheiro e filmando de forma rápida, este segmento utilizava-se do erotismo e conseguia boa distribuição e público. Os diretores principais do “marginal cafajeste” são Carlos Reichenbach, Antônio Lima, João Callegaro, Jairo Ferreira e Carlos Alberto Ebert. Entre suas obras, muitas feitas em conjunto, destacam-se: “As Libertinas” (1969), de Reichenbach, Lima e Callegaro e “Audácia, Fúrias dos Desejos” (1970), de Reichenbach e Lima. Fora estes, há “República da Traição” (1970), de Carlos Alberto Ebert e “O Pornógrafo”, de João Callegaro. Bem próximo a este grupo localiza-se “A Mulher de Todos”, feito por Sganzerla em 1969.
Mais distante do esquema de produção marginal cafajeste encontra-se Andréa Tonacci com seu filme “Bang-Bang” e Ozualdo Candeias com “A Margem”, de 1967. Apesar deste último não ter uma relação direta com o grupo, a obra é citada como “filme-referência” do Cinema Marginal.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Felline - Impossível não lembrar do Poeta
Fellini, o poeta maior do cinema italiano, nasceu no dia 20 de janeiro de 1920, na cidade de Rimini, no litoral da Itália. Ele iniciou sua carreira como jornalista, em Florença, atuando em uma revista conhecida por seu teor cômico, Marc Aurélio. Nesta publicação ele teve a oportunidade de expressar sua veia caricaturista e seu estilo como desenhista.Posteriormente, passou a produzir roteiros e piadas para humoristas. No cinema ele seguiu os passos de Rossellini, a quem ele reverenciava e ao lado do qual ele colaborou em diversos trabalhos conjuntos, como Roma, Cidade Aberta e Paisá, aprendendo assim a manipular os recursos técnicos necessários para a criação cinematográfica.
A primeira etapa de sua filmografia está impregnada de características do movimento neo-realista, retratando desta forma as agruras de protagonistas das camadas populares, com os quais ele se identifica. Seus dons fantasiosos, porém, foram aos poucos transcendendo sua visão realista. Pode-se perceber esta guinada estética em Oito e Meio, obra na qual se encontram facilmente os traços oníricos, a natureza imaginativa do diretor e as características caricatas que marcarão essencialmente sua trajetória como cineasta.
Fellini, como Godard, também não valorizava os roteiros, embora se valesse deste recurso, criando-os contra a vontade, pois acreditava que as imagens deveriam ser transferidas automaticamente de sua mente criadora para as telas dos cinemas. Ele dava importância crescente à inventividade, ao trabalho com pessoas comuns, transformadas de improviso em atores, mas sabia lançar mão de grandes profissionais, como o ator Marcello Mastroianni, a atriz Giulietta Masina, seu criador de trilhas sonoras preferido, Nino Rotta, e o roteirista Tonino Guerra.
O diretor foi celebrizado por seu poder de gerar imagens poéticas, que logo se transformaram em patrimônio para a posteridade, adquirindo um caráter eterno e clássico, imediatamente associado a este genial cineasta. Mesmo nos seus filmes mais críticos e de natureza política, como Amarcord e Ensaio de Orquestra, está presente a poesia. Mesmo porque Fellini não se considera um político, evitando assim assumir posturas ideológicas, apesar das expectativas nutridas por quem testemunha esta sua abordagem de temas extraídos da Política.
Suas obras dos anos 60 e 70 estão essencialmente imbuídas de características barrocas e populares. Desta forma o diretor recria nas telas as angústias de homens efêmeros e sem identidade marcante, que não se destacam no dia-a-dia. Suas opções estilísticas pelo excesso e pelo desconhecido são os instrumentos ideais para retratar criaturas que se imortalizaram em filmes como Os Boas Vidas, Julieta dos Espíritos, A Doce Vida e La Nave Va.
Fellini foi amplamente premiado por sua produção, dentro e fora da Itália. A coroação de sua carreira consagrada foi o recebimento, em 1993, do Oscar honorário, pelo conjunto de sua atuação cinematográfica. Neste mesmo ano, em 31 de outubro, o mundo perde a genialidade de Fellini, que falece em Roma. Sua obra, porém, permanece eterna e universal.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Distrito 9 - Não é fácil...
Assistir Distrito 9 não é das tarefas mais fáceis, pois nas telas o espectador se depara com suas próprias mazelas, especialmente com a intolerância e o grau zero na aceitação das diferenças. Esta obra-prima do gênero ficção científica toca nas feridas mais profundas da alma humana, exibindo diante do olhar do público a forma muitas vezes cruel com que o ser humano lida com a alteridade.
distrito 9 posterEste filme vai contra a velha e tradicional concepção do extraterrestre que invade a Terra e, quase sempre, elege misteriosamente o povo norte-americano como adversário, visão que encontra seu ápice em produções como Independence Day. Aqui a nave-mãe originária de um planeta desconhecido paira sobre Johanesburgo, uma das maiores metrópoles da África do Sul.
Nesta nave espacial são encontrados seres estranhos, com forma de inseto, depreciativamente chamados de ‘camarões’. Sem saber como agir diante de tais criaturas, que representam a mais radical alteridade, as autoridades locais as confinam em um gueto conhecido como Distrito 9, onde elas vivem de uma forma aviltante e desprezível, exatamente como em um campo de concentração.
Uma indústria armamentista é responsável pela exclusão destes seres, pois vêem em sua total e completa submissão a possibilidade de lucrar com suas armas. Diante da passividade de ‘insetos’ que agem como operários, uma vez desprovidos da presença de uma espécie de rainha-mãe, como entre as abelhas, os executivos desta multinacional não têm maiores dificuldades em atingir pelo menos parte de seus objetivos.
O protagonista desta trama, Wikus Van De Merwe, interpretado por Sharlto Copley, um sul-africano autêntico, é a imagem do anti-herói, de certa forma simpático, mas um burocrata alienado que trabalha para esta empresa, a Multi-National United (MNU) e despreza igualmente os ‘camarões’, até se ver envolvido em um estranho caso de transmutação, que lembra imediatamente a transformação vivenciada pelo personagem de Franz Kafka no livro ‘A Metamorfose‘, ao ser incumbido de notificar os aliens de seu iminente despejo do Distrito 9.
Neil Blomkamp é o diretor independente que se revela diante do mundo com esta obra surpreendente que mistura elementos de ficção científica com uma contundente crítica social. Esta obra nasceu sem muitas ambições de superprodução, com uma publicidade singela mas acirrada, com pôsteres espalhados pelos principais pontos de ônibus dos EUA, pedindo ao povo que denunciasse ETs.
Este foi o recurso da surpresa, o outro foi o da participação de Peter Jackson, diretor do clássico O Senhor dos Anéis, como produtor facilitador, o profissional que procura garimpar novos talentos. Um elemento que permitiu igualmente sua alta cotação junto ao público e à crítica é a profunda bagagem cultural de Blomkamp, especialmente a literária, que o impediu de cair nos velhos clichês deste gênero.
As cenas desta produção foram gravadas em uma favela de Soweto, reproduzindo irônica e tristemente os recentes conflitos pós-apartheid que vêm abalando a região. Blomkamp, mesmo sem se dar conta, reproduz nas telas o que vivenciou em Johanesburgo, ao longo de sua vida, durante os embates segregacionistas e também depois da queda do regime racista.
Infelizmente os mesmos protagonistas da cruel discriminação racial parecem repetir, hoje, a mesma história com relação aos imigrantes. Como para confirmar este raciocínio, durante as filmagens, em 2008, vários conflitos tomaram as ruas próximas às filmagens e diversos habitantes do Zimbábue, à procura de novas oportunidades na África do Sul, foram mortos brutalmente. Episódios como esse reforçam a idéia do diretor de dar ao seu filme um caráter documental, uma vez que ele se alicerça profundamente em uma realidade concreta.
A Sony, distribuidora deste filme, se viu surpreendida com a grandiosa recepção de Distrito 9, e até mesmo sua filial brasileira teve que providenciar mais cópias desta película – inicialmente seriam apenas cem cópias. Com certeza a empresa não se arrependeu, pois as salas de exibição estão sempre repletas de um público ansioso para descobrir o porquê de tanto sucesso.
distrito 9 posterEste filme vai contra a velha e tradicional concepção do extraterrestre que invade a Terra e, quase sempre, elege misteriosamente o povo norte-americano como adversário, visão que encontra seu ápice em produções como Independence Day. Aqui a nave-mãe originária de um planeta desconhecido paira sobre Johanesburgo, uma das maiores metrópoles da África do Sul.
Nesta nave espacial são encontrados seres estranhos, com forma de inseto, depreciativamente chamados de ‘camarões’. Sem saber como agir diante de tais criaturas, que representam a mais radical alteridade, as autoridades locais as confinam em um gueto conhecido como Distrito 9, onde elas vivem de uma forma aviltante e desprezível, exatamente como em um campo de concentração.
Uma indústria armamentista é responsável pela exclusão destes seres, pois vêem em sua total e completa submissão a possibilidade de lucrar com suas armas. Diante da passividade de ‘insetos’ que agem como operários, uma vez desprovidos da presença de uma espécie de rainha-mãe, como entre as abelhas, os executivos desta multinacional não têm maiores dificuldades em atingir pelo menos parte de seus objetivos.
O protagonista desta trama, Wikus Van De Merwe, interpretado por Sharlto Copley, um sul-africano autêntico, é a imagem do anti-herói, de certa forma simpático, mas um burocrata alienado que trabalha para esta empresa, a Multi-National United (MNU) e despreza igualmente os ‘camarões’, até se ver envolvido em um estranho caso de transmutação, que lembra imediatamente a transformação vivenciada pelo personagem de Franz Kafka no livro ‘A Metamorfose‘, ao ser incumbido de notificar os aliens de seu iminente despejo do Distrito 9.
Neil Blomkamp é o diretor independente que se revela diante do mundo com esta obra surpreendente que mistura elementos de ficção científica com uma contundente crítica social. Esta obra nasceu sem muitas ambições de superprodução, com uma publicidade singela mas acirrada, com pôsteres espalhados pelos principais pontos de ônibus dos EUA, pedindo ao povo que denunciasse ETs.
Este foi o recurso da surpresa, o outro foi o da participação de Peter Jackson, diretor do clássico O Senhor dos Anéis, como produtor facilitador, o profissional que procura garimpar novos talentos. Um elemento que permitiu igualmente sua alta cotação junto ao público e à crítica é a profunda bagagem cultural de Blomkamp, especialmente a literária, que o impediu de cair nos velhos clichês deste gênero.
As cenas desta produção foram gravadas em uma favela de Soweto, reproduzindo irônica e tristemente os recentes conflitos pós-apartheid que vêm abalando a região. Blomkamp, mesmo sem se dar conta, reproduz nas telas o que vivenciou em Johanesburgo, ao longo de sua vida, durante os embates segregacionistas e também depois da queda do regime racista.
Infelizmente os mesmos protagonistas da cruel discriminação racial parecem repetir, hoje, a mesma história com relação aos imigrantes. Como para confirmar este raciocínio, durante as filmagens, em 2008, vários conflitos tomaram as ruas próximas às filmagens e diversos habitantes do Zimbábue, à procura de novas oportunidades na África do Sul, foram mortos brutalmente. Episódios como esse reforçam a idéia do diretor de dar ao seu filme um caráter documental, uma vez que ele se alicerça profundamente em uma realidade concreta.
A Sony, distribuidora deste filme, se viu surpreendida com a grandiosa recepção de Distrito 9, e até mesmo sua filial brasileira teve que providenciar mais cópias desta película – inicialmente seriam apenas cem cópias. Com certeza a empresa não se arrependeu, pois as salas de exibição estão sempre repletas de um público ansioso para descobrir o porquê de tanto sucesso.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Cosmópolis - Uma bela adaptação
Eric Michael Packer, um homem de negócios que com somente 28 anos já conquistou um império financeiro tecendo operações financeiras que têm como objetivo obter lucros sobre valores sujeitos às flutuações do mercado mundial, é considerado o garoto dourado das finanças norte-americanas.
Nova Iorque, a cidade em que vive, abriga Manhattan, povoado no qual pulsa o coração da economia dos EUA, Wall Street. Mas justamente aí tudo indica que o sistema capitalista está ruindo; as bolsas de valores estão oscilando perigosamente, revoltas contra a globalização invadem a Times Square e a intensa circulação de veículos se agrava com a chegada do Presidente a esta metrópole.
Neste dia tumultuado do ano 2000 Eric desperta, olha a paisagem do alto de seu triplex no edifício mais elevado do Planeta, e toma uma resolução que promete mudar sua vida. Contra todas as expectativas ele resolve cortar o cabelo. Sai em sua limusine só na companhia de seu motorista e dos seguranças.
O protagonista passa o dia todo no carro para atravessar somente dez quarteirões de Manhattan; seu veículo tem praticamente tudo de que ele necessita: bebidas, toalete, aparelhos ligados à internet e câmaras de vídeo. Contando com esses recursos o magnata pratica especulação contra a moeda do Japão, mas esta insiste em se valorizar.
Ao longo desta jornada decadente se depara muitas vezes, casualmente, com Elise, a quem ele se unira em matrimônio alguns dias antes. A jovem é igualmente multimilionária. O relacionamento se desintegra cada vez que ambos se encontram, já que a jovem se dá conta da crescente infidelidade do marido.
Eric percebe pouco a pouco quanto sua vida é desprovida de sentido, enquanto sua existência e a riqueza acumulada vão desmoronando; toda aposta do antes bem-sucedido especulador resulta no mais completo fracasso. Sua fortuna e a de Elise, que ele não hesita em arriscar, são arrebatadas, junto com toda a instituição financeira do Planeta.
O protagonista não encontra meios para deter o avanço da crise, e torna-se um mero espectador diante do desenrolar dos fatos e da ruína de seu reinado. É desta forma que ele vivencia o dia mais transformador de sua trajetória existencial. Além de tudo, tem certeza de que está a um passo de ser assassinado.
A narrativa brilhante de DeLillo indica mais do que a carência de significado de uma vida em particular; ela revela o quanto os alicerces que apóiam o universo contemporâneo podem ser fatalmente frágeis. Seu texto contundente provoca desconforto e impregna cada evento de um sentido especial.
A história foi recentemente adaptada para os cinemas em uma produção franco-canadense dirigida pelo cineasta David Cronenberg. O filme Cosmópolis, protagonizado por Robert Pattinson e Juliette Binoche, estreou no final de 2012 nas telas brasileiras.
Don DeLillo nasceu em Nova Iorque no ano de 1936. Ele é considerado um dos autores mais importantes da literatura norte-americana atual. O escritor conquistou várias premiações, entre elas o National Book Award (1985), o PEN/Faulkner (1992), o Jerusalem Prize (1999) e a medalha Howells da Academia Americana de Artes e Letras (2000).
Nova Iorque, a cidade em que vive, abriga Manhattan, povoado no qual pulsa o coração da economia dos EUA, Wall Street. Mas justamente aí tudo indica que o sistema capitalista está ruindo; as bolsas de valores estão oscilando perigosamente, revoltas contra a globalização invadem a Times Square e a intensa circulação de veículos se agrava com a chegada do Presidente a esta metrópole.
Neste dia tumultuado do ano 2000 Eric desperta, olha a paisagem do alto de seu triplex no edifício mais elevado do Planeta, e toma uma resolução que promete mudar sua vida. Contra todas as expectativas ele resolve cortar o cabelo. Sai em sua limusine só na companhia de seu motorista e dos seguranças.
O protagonista passa o dia todo no carro para atravessar somente dez quarteirões de Manhattan; seu veículo tem praticamente tudo de que ele necessita: bebidas, toalete, aparelhos ligados à internet e câmaras de vídeo. Contando com esses recursos o magnata pratica especulação contra a moeda do Japão, mas esta insiste em se valorizar.
Ao longo desta jornada decadente se depara muitas vezes, casualmente, com Elise, a quem ele se unira em matrimônio alguns dias antes. A jovem é igualmente multimilionária. O relacionamento se desintegra cada vez que ambos se encontram, já que a jovem se dá conta da crescente infidelidade do marido.
Eric percebe pouco a pouco quanto sua vida é desprovida de sentido, enquanto sua existência e a riqueza acumulada vão desmoronando; toda aposta do antes bem-sucedido especulador resulta no mais completo fracasso. Sua fortuna e a de Elise, que ele não hesita em arriscar, são arrebatadas, junto com toda a instituição financeira do Planeta.
O protagonista não encontra meios para deter o avanço da crise, e torna-se um mero espectador diante do desenrolar dos fatos e da ruína de seu reinado. É desta forma que ele vivencia o dia mais transformador de sua trajetória existencial. Além de tudo, tem certeza de que está a um passo de ser assassinado.
A narrativa brilhante de DeLillo indica mais do que a carência de significado de uma vida em particular; ela revela o quanto os alicerces que apóiam o universo contemporâneo podem ser fatalmente frágeis. Seu texto contundente provoca desconforto e impregna cada evento de um sentido especial.
A história foi recentemente adaptada para os cinemas em uma produção franco-canadense dirigida pelo cineasta David Cronenberg. O filme Cosmópolis, protagonizado por Robert Pattinson e Juliette Binoche, estreou no final de 2012 nas telas brasileiras.
Don DeLillo nasceu em Nova Iorque no ano de 1936. Ele é considerado um dos autores mais importantes da literatura norte-americana atual. O escritor conquistou várias premiações, entre elas o National Book Award (1985), o PEN/Faulkner (1992), o Jerusalem Prize (1999) e a medalha Howells da Academia Americana de Artes e Letras (2000).
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Akira
Desde a primeira seqüência até o segundo final, o espectador fica literalmente fascinado pelo encadeamento frenético de imagens em Akira. Como se misteriosa droga alucinasse não só seus personagens, mas cada cinéfilo transposto para o núcleo da ação. Tudo começa em mais uma das violentas noites da Neo-Tóquio de 2019, trinta anos após o término da Terceira Guerra Mundial.
O cenário, terrivelmente sombrio, evoca uma era pós-apocalíptica. O medo, o fanatismo, o caos, a corrupção política, o terrorismo, estão sempre presentes. Gangues de motoqueiros combatem em becos escuros. Esta cidade dominada pela ambição, ganância e jogos de poder, parece caminhar, inexoravelmente, para novo e predestinado abismo. O pesadelo está prestes a começar.
Em típica atmosfera shakesperiana, a luta pelo poder absoluto, supremo, caminha lado a lado com a disseminação de poderes extra-sensoriais. Os psíquicos encontram-se sob estudo e controle do Estado e da Ciência, que definitivamente não detêm o mesmo objetivo. Os paranormais são detectados logo cedo, seqüestrados, catalogados como projetos experimentais, numerados e mantidos sob observação. Os principais são a sensitiva e profetisa Kiyoko, o psicocinesista Takashi e Masaru, que possui a terceira visão.
Todos os personagens criados por Katsuhiro Otomo – autor e diretor da história – são detalhadamente elaborados e desenvolvidos. Não existem heróis e vilões, ou caracteres centrais. Kaneda e Tetsuo são membros de uma violenta gangue e estudantes da Escola Técnica. O primeiro, tímido e complexado; o outro, líder do grupo e egocêntrico. Key, exceção aos tipos femininos criados por Otomo, é corajosa e sensível terrorista. O Coronel Shikishima, membro da Defesa Aérea, é um dos únicos a conhecer o terrível segredo de Akira. Cada um deles é peça-chave desta história carregada de símbolos de destruição-reconstrução do Universo.
Akira é um projeto coletivo, fruto da colaboração entre a arte e a mais sofisticada tecnologia. Alia profundo humanismo à pesquisa de recursos tecnológicos inovadores. Seu trabalho de animação imbui-se tanto do esforço artesanal de Otomo na elaboração do ‘storyboard’, quanto das mais complexas e recentes técnicas de computação e de fotografia das células desenhadas. Mizutani, o diretor de arte, tem liberdade total para o uso de cores não convencionais, trabalhando muito com o verde e o vermelho.
Aliás, o número de cores usadas ao longo do filme é impressionante – 327! Em alguns momentos é fácil esquecer que se trata de animação, tamanho o senso de realidade que nos transmitem a cidade e seus habitantes – extremamente animados de vida! Paralelamente à estética visual, contribuem – para criar desde os momentos de harmonia até os do mais apocalíptico pesadelo – a indescritível trilha de efeitos sonoros e a música do Geinoh Yamashirogumi.
Não se sabe, ao longo do filme, qual a verdadeira intenção de Otomo ao criar o universo de Akira. Mostrar um mundo futuro e fictício, porém possível, ou o presente, já impregnado de germens da destruição, o qual caminha, inconsciente, movido por cega ambição, para uma nova era de trevas. Mas, segundo Otomo, os seres ainda podem deter a corrente do tempo e escolher entre vários destinos.
O cenário, terrivelmente sombrio, evoca uma era pós-apocalíptica. O medo, o fanatismo, o caos, a corrupção política, o terrorismo, estão sempre presentes. Gangues de motoqueiros combatem em becos escuros. Esta cidade dominada pela ambição, ganância e jogos de poder, parece caminhar, inexoravelmente, para novo e predestinado abismo. O pesadelo está prestes a começar.
Em típica atmosfera shakesperiana, a luta pelo poder absoluto, supremo, caminha lado a lado com a disseminação de poderes extra-sensoriais. Os psíquicos encontram-se sob estudo e controle do Estado e da Ciência, que definitivamente não detêm o mesmo objetivo. Os paranormais são detectados logo cedo, seqüestrados, catalogados como projetos experimentais, numerados e mantidos sob observação. Os principais são a sensitiva e profetisa Kiyoko, o psicocinesista Takashi e Masaru, que possui a terceira visão.
Todos os personagens criados por Katsuhiro Otomo – autor e diretor da história – são detalhadamente elaborados e desenvolvidos. Não existem heróis e vilões, ou caracteres centrais. Kaneda e Tetsuo são membros de uma violenta gangue e estudantes da Escola Técnica. O primeiro, tímido e complexado; o outro, líder do grupo e egocêntrico. Key, exceção aos tipos femininos criados por Otomo, é corajosa e sensível terrorista. O Coronel Shikishima, membro da Defesa Aérea, é um dos únicos a conhecer o terrível segredo de Akira. Cada um deles é peça-chave desta história carregada de símbolos de destruição-reconstrução do Universo.
Akira é um projeto coletivo, fruto da colaboração entre a arte e a mais sofisticada tecnologia. Alia profundo humanismo à pesquisa de recursos tecnológicos inovadores. Seu trabalho de animação imbui-se tanto do esforço artesanal de Otomo na elaboração do ‘storyboard’, quanto das mais complexas e recentes técnicas de computação e de fotografia das células desenhadas. Mizutani, o diretor de arte, tem liberdade total para o uso de cores não convencionais, trabalhando muito com o verde e o vermelho.
Aliás, o número de cores usadas ao longo do filme é impressionante – 327! Em alguns momentos é fácil esquecer que se trata de animação, tamanho o senso de realidade que nos transmitem a cidade e seus habitantes – extremamente animados de vida! Paralelamente à estética visual, contribuem – para criar desde os momentos de harmonia até os do mais apocalíptico pesadelo – a indescritível trilha de efeitos sonoros e a música do Geinoh Yamashirogumi.
Não se sabe, ao longo do filme, qual a verdadeira intenção de Otomo ao criar o universo de Akira. Mostrar um mundo futuro e fictício, porém possível, ou o presente, já impregnado de germens da destruição, o qual caminha, inconsciente, movido por cega ambição, para uma nova era de trevas. Mas, segundo Otomo, os seres ainda podem deter a corrente do tempo e escolher entre vários destinos.
domingo, 25 de novembro de 2012
2001.. Não precisa completar
Esta obra praticamente revolucionou o gênero da ficção científica nos anos 60. Para os críticos de cinema, é um dos melhores filmes de todas as eras nesta categoria. Este empreendimento foi fruto da parceria entre o diretor norte-americano Stanley Kubrick e o legendário escritor Arthur C. Clarke, autor dos livros The Sentinel e 2001: A Space Odyssey (2001: Uma Odisséia no Espaço), esta elaborada ao mesmo tempo em que se filmava este clássico, inspirado nestas duas publicações.
2001 Uma Odisséia no Espaço - filmeEmbora a humanidade já tenha ultrapassado este marco temporal, sem que exatamente a realidade retratada nesta obra tenha se realizado completamente, a odisséia arquitetada por Kubrick e Clarke preserva sua atmosfera mágica e seu mistério mítico. Mesmo porque um de seus protagonistas, o genial computador conhecido como HAL 9000 (HAL é uma analogia à IBM – cada letra é imediatamente anterior a sua correspondente na sigla da multinacional dos computadores), retrata bem os avanços tecnológicos conquistados pelo Homem neste campo. Com certeza a inteligência artificial é hoje uma realidade concreta, e tende a alcançar limites antes inimagináveis.
Estas duas mentes brilhantes sem dúvida conceberam um clássico profético. Talvez por isso elas sejam consideradas tão inquietantes! O cineasta é muito respeitado por sua originalidade, o escritor é reconhecido até mesmo nos meios científicos, sem falar nos inúmeros fãs de sua obra. Resultado: o filme tornou-se um épico cultuado até nossos dias, e o livro já alcançou uma cifra de mais de 4 milhões de cópias vendidas em todo o Planeta.
2001 Uma Odisséia no Espaço - livroO livro foi criado por Clarke a pedido de Kubrick, para que pudesse assim orientar melhor a realização do filme. Desta escrita livre poderia surgir mais inspirado o roteiro. E foi assim que nasceu 2001: Uma odisséia no Espaço, que em sua versão cinematográfica apresenta um total de 139 minutos, dos quais somente 40 deles são preenchidos com diálogos.
Nesta mítica criação é possível acompanhar os primeiros passos do Homem na direção do progresso, desde a utilização de instrumentos rudimentares, até o avanço tecnológico e a consequente entrada na era espacial. A partir desse ponto a humanidade segue além, sem limites ou fronteiras.
É importante lembrar que esta obra foi gerada antes mesmo que Neil Armstrong se tornasse o primeiro homem a pisar na lua, marco fundamental na história da humanidade. No romance, a nave Discovery não se dirige a este satélite da Terra, mas sim a Iapetus ou Japetus, a lua mais misteriosa de Saturno. Através de um caminho que passa por Júpiter, a esfera saturniana é atingida.
A forma como a nave terráquea se aproxima do imenso planeta é posteriormente, em 1979, simulada pela sonda Voyager, para assim realizar a primeira investigação dos astros gigantescos. Na época em que foi filmado este épico, mal se podia conceber que fosse necessário tão pouco tempo para que esta manobra fosse realizada – era algo previsto para pelo menos um século depois.
Não se pode afirmar, porém, que autores de ficção científica tentem prever acontecimentos, eles apenas exploram possibilidades, a partir do patamar tecnológico já alcançado pela Humanidade. Esta, porém, vem avançando rápido demais, e não será tão surpreendente assim se, num futuro próximo, a inteligência humana e a artificial entrarem em sério confronto.
2001 Uma Odisséia no Espaço - filmeEmbora a humanidade já tenha ultrapassado este marco temporal, sem que exatamente a realidade retratada nesta obra tenha se realizado completamente, a odisséia arquitetada por Kubrick e Clarke preserva sua atmosfera mágica e seu mistério mítico. Mesmo porque um de seus protagonistas, o genial computador conhecido como HAL 9000 (HAL é uma analogia à IBM – cada letra é imediatamente anterior a sua correspondente na sigla da multinacional dos computadores), retrata bem os avanços tecnológicos conquistados pelo Homem neste campo. Com certeza a inteligência artificial é hoje uma realidade concreta, e tende a alcançar limites antes inimagináveis.
Estas duas mentes brilhantes sem dúvida conceberam um clássico profético. Talvez por isso elas sejam consideradas tão inquietantes! O cineasta é muito respeitado por sua originalidade, o escritor é reconhecido até mesmo nos meios científicos, sem falar nos inúmeros fãs de sua obra. Resultado: o filme tornou-se um épico cultuado até nossos dias, e o livro já alcançou uma cifra de mais de 4 milhões de cópias vendidas em todo o Planeta.
2001 Uma Odisséia no Espaço - livroO livro foi criado por Clarke a pedido de Kubrick, para que pudesse assim orientar melhor a realização do filme. Desta escrita livre poderia surgir mais inspirado o roteiro. E foi assim que nasceu 2001: Uma odisséia no Espaço, que em sua versão cinematográfica apresenta um total de 139 minutos, dos quais somente 40 deles são preenchidos com diálogos.
Nesta mítica criação é possível acompanhar os primeiros passos do Homem na direção do progresso, desde a utilização de instrumentos rudimentares, até o avanço tecnológico e a consequente entrada na era espacial. A partir desse ponto a humanidade segue além, sem limites ou fronteiras.
É importante lembrar que esta obra foi gerada antes mesmo que Neil Armstrong se tornasse o primeiro homem a pisar na lua, marco fundamental na história da humanidade. No romance, a nave Discovery não se dirige a este satélite da Terra, mas sim a Iapetus ou Japetus, a lua mais misteriosa de Saturno. Através de um caminho que passa por Júpiter, a esfera saturniana é atingida.
A forma como a nave terráquea se aproxima do imenso planeta é posteriormente, em 1979, simulada pela sonda Voyager, para assim realizar a primeira investigação dos astros gigantescos. Na época em que foi filmado este épico, mal se podia conceber que fosse necessário tão pouco tempo para que esta manobra fosse realizada – era algo previsto para pelo menos um século depois.
Não se pode afirmar, porém, que autores de ficção científica tentem prever acontecimentos, eles apenas exploram possibilidades, a partir do patamar tecnológico já alcançado pela Humanidade. Esta, porém, vem avançando rápido demais, e não será tão surpreendente assim se, num futuro próximo, a inteligência humana e a artificial entrarem em sério confronto.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
O "Inusitado e Surpreendente" Cinema Indiano
Atualmente a indústria cinematográfica indiana é, surpreendentemente, a mais expressiva do Planeta no que se refere à comercialização de ingressos, que estão entre os menos dispendiosos, e ao volume de películas elaboradas. Um grande número de pessoas frequenta os cinemas no subcontinente indiano.
Os indianos foram apresentados à técnica cinematográfica no dia 7 de julho de 1896, através da exibição de algumas películas dos irmãos Lumiére, no Hotel Watson, na cidade de Bombain, hoje conhecida como Mumbai. Neste mesmo ano uma empresa da Índia, a Madras Photographic Store, assumiu a publicidade deste gênero artístico. As apresentações de cinema no território indiano tiveram início em 1897, com mostras de filmes organizadas pelo Clifton and Co.’s Meadows Street Photography Studio.
O primeiro filme documental realizado na Índia foi produzido por Harischandra Sakharam Bhatavdekar, mais conhecido como Save Dada, em 1897 – registrou um episódio de luta livre, organizado nos Hanging Gardens, em Bombaim. Ele também foi pioneiro na realização de filmes do gênero noticioso. Quanto às produções comerciais, algumas tentativas já foram promovidas neste período, com empreendimentos como os de F. B. Thanewala e J. F. Madan, que fundou a Madan Theatres Limited, maior estúdio produtor e negociante de filmes norte-americanos no cenário pós-Primeira Guerra Mundial. Foram instituídos locais de exibição das películas, enquanto os cinemas itinerantes também conquistavam seu espaço.
O primeiro filme indiano de longa-metragem foi Pundalik, de N. G. Chitre e Dadasaheb Torne, lançado em 1912. Dadasaheb Phalke torna-se um grande nome do cinema indiano com a produção Raja Harishchandra, permanecendo célebre até o nascimento do cinema falado, sempre na defesa da abordagem de assuntos especificamente indianos nas telas cinematográficas. Na década de 20 o volume de filmes produzidos na Índia já é significativo. Nos anos 30 emergem novos estúdios e uma safra mais recente de cineastas.
O primeiro filme sonoro surgiu já em 1931, Alam Ara, de Ardeshir Irani, alcançando grande sucesso. Outras produções surgem na esteira desta guinada no cinema indiano, apresentando muitas falas, músicas e danças. Nesta década o cinema reflete o clima de contestação social então vigente na Índia, enquanto crescem três importantes estúdios cinematográficos neste país: em Bombaim, mais voltado para o mercado nacional; em Madras e em Calcutá, célebres por suas criações regionais.
Do início dos anos 40 ao fim da década de 50 o cinema da Índia viveu seus momentos mais marcantes, impressos na memória histórica da cultura indiana. As produções normalmente apresentavam cenas eletrizantes de música e dança, utilizando o recurso que se tornaria tradicional neste país, o do playback, através do qual um cantor original cantava no estúdio, enquanto os participantes do filme apenas simulavam executar as canções. Nos anos 50 vários novos talentos emergiram, entre eles o cineasta bengali Satyajit Ray, que conquistou, em 1953, o prêmio de Melhor Documento Humano no Festival de Cannes, entre outras premiações, com a película Pather Panchali. Outros diretores foram também amplamente premiados, constituindo nesta época de ouro um movimento conhecido como o Novo Cinema Indiano.
Na década de 60 tanto o cinema mais conceitual quanto o popular abordaram principalmente a temática social, com filmes como Do Bheega Zamenn, e outros do gênero. Os anos 70 se inspiraram mais na cultura oriental, ao mesmo tempo em que o foco nas questões sociais perdeu espaço para a produção de massa, mais direcionada para o entretenimento. Geralmente estes filmes enfocavam o tradicional conflito entre o bem e o mal, mesclando esse ancestral dilema a boas doses de dramas melosos. Os enredos eram longos e mal cabiam no convencional modelo de 3 horas de duração. O filme mais famoso desta época foi Sholay, de Ramesh Sippy, que inaugurou a fase comercial do cinema indiano.
Na década de 80 o cinema de entretenimento conquistou um significado maior, uma tendência para o realismo, com o enredo mais voltado para os problemas enfrentados pela classe média. Uma nova onda de ídolos apareceu neste momento. Nos anos 90 o cinema se vê mais subordinado ao mercado publicitário. Cresce o número de musicais indianos e também dos filmes de ação. Novos cineastas iniciam uma transformação no seio do cinema indiano. Há uma maior preocupação com a maneira como as narrativas são elaboradas.
A indústria cinematográfica desenvolvida em Mumbai tornou-se célebre por ser naturalmente associada ao explosivo poder de Hollywood, sendo assim conhecida como Bollywood, mescla de Hollywood com Bombay. Ela está ligada estritamente ao cinema produzido no idioma hindi. Esta tendência tem sido alvo de várias críticas e denúncias, pois muitos acreditam que ela profana a tradicional cultura indiana e aborda temas polêmicos, em estilo liberal demais para certas convenções indianas. Algumas de suas idéias, porém, tem sofrido várias modificações, à medida que o próprio paladar cultural do povo indiano se transforma, tornando-se mais exigente.
Os indianos foram apresentados à técnica cinematográfica no dia 7 de julho de 1896, através da exibição de algumas películas dos irmãos Lumiére, no Hotel Watson, na cidade de Bombain, hoje conhecida como Mumbai. Neste mesmo ano uma empresa da Índia, a Madras Photographic Store, assumiu a publicidade deste gênero artístico. As apresentações de cinema no território indiano tiveram início em 1897, com mostras de filmes organizadas pelo Clifton and Co.’s Meadows Street Photography Studio.
O primeiro filme documental realizado na Índia foi produzido por Harischandra Sakharam Bhatavdekar, mais conhecido como Save Dada, em 1897 – registrou um episódio de luta livre, organizado nos Hanging Gardens, em Bombaim. Ele também foi pioneiro na realização de filmes do gênero noticioso. Quanto às produções comerciais, algumas tentativas já foram promovidas neste período, com empreendimentos como os de F. B. Thanewala e J. F. Madan, que fundou a Madan Theatres Limited, maior estúdio produtor e negociante de filmes norte-americanos no cenário pós-Primeira Guerra Mundial. Foram instituídos locais de exibição das películas, enquanto os cinemas itinerantes também conquistavam seu espaço.
O primeiro filme indiano de longa-metragem foi Pundalik, de N. G. Chitre e Dadasaheb Torne, lançado em 1912. Dadasaheb Phalke torna-se um grande nome do cinema indiano com a produção Raja Harishchandra, permanecendo célebre até o nascimento do cinema falado, sempre na defesa da abordagem de assuntos especificamente indianos nas telas cinematográficas. Na década de 20 o volume de filmes produzidos na Índia já é significativo. Nos anos 30 emergem novos estúdios e uma safra mais recente de cineastas.
O primeiro filme sonoro surgiu já em 1931, Alam Ara, de Ardeshir Irani, alcançando grande sucesso. Outras produções surgem na esteira desta guinada no cinema indiano, apresentando muitas falas, músicas e danças. Nesta década o cinema reflete o clima de contestação social então vigente na Índia, enquanto crescem três importantes estúdios cinematográficos neste país: em Bombaim, mais voltado para o mercado nacional; em Madras e em Calcutá, célebres por suas criações regionais.
Do início dos anos 40 ao fim da década de 50 o cinema da Índia viveu seus momentos mais marcantes, impressos na memória histórica da cultura indiana. As produções normalmente apresentavam cenas eletrizantes de música e dança, utilizando o recurso que se tornaria tradicional neste país, o do playback, através do qual um cantor original cantava no estúdio, enquanto os participantes do filme apenas simulavam executar as canções. Nos anos 50 vários novos talentos emergiram, entre eles o cineasta bengali Satyajit Ray, que conquistou, em 1953, o prêmio de Melhor Documento Humano no Festival de Cannes, entre outras premiações, com a película Pather Panchali. Outros diretores foram também amplamente premiados, constituindo nesta época de ouro um movimento conhecido como o Novo Cinema Indiano.
Na década de 60 tanto o cinema mais conceitual quanto o popular abordaram principalmente a temática social, com filmes como Do Bheega Zamenn, e outros do gênero. Os anos 70 se inspiraram mais na cultura oriental, ao mesmo tempo em que o foco nas questões sociais perdeu espaço para a produção de massa, mais direcionada para o entretenimento. Geralmente estes filmes enfocavam o tradicional conflito entre o bem e o mal, mesclando esse ancestral dilema a boas doses de dramas melosos. Os enredos eram longos e mal cabiam no convencional modelo de 3 horas de duração. O filme mais famoso desta época foi Sholay, de Ramesh Sippy, que inaugurou a fase comercial do cinema indiano.
Na década de 80 o cinema de entretenimento conquistou um significado maior, uma tendência para o realismo, com o enredo mais voltado para os problemas enfrentados pela classe média. Uma nova onda de ídolos apareceu neste momento. Nos anos 90 o cinema se vê mais subordinado ao mercado publicitário. Cresce o número de musicais indianos e também dos filmes de ação. Novos cineastas iniciam uma transformação no seio do cinema indiano. Há uma maior preocupação com a maneira como as narrativas são elaboradas.
A indústria cinematográfica desenvolvida em Mumbai tornou-se célebre por ser naturalmente associada ao explosivo poder de Hollywood, sendo assim conhecida como Bollywood, mescla de Hollywood com Bombay. Ela está ligada estritamente ao cinema produzido no idioma hindi. Esta tendência tem sido alvo de várias críticas e denúncias, pois muitos acreditam que ela profana a tradicional cultura indiana e aborda temas polêmicos, em estilo liberal demais para certas convenções indianas. Algumas de suas idéias, porém, tem sofrido várias modificações, à medida que o próprio paladar cultural do povo indiano se transforma, tornando-se mais exigente.
domingo, 7 de outubro de 2012
A Vida É Bela
– Buongiorno principessa! Nesta comovente e apaixonante história, Roberto Benigni consegue aliar encanto e beleza em um dos momentos mais cruéis da humanidade: a Segunda Guerra Mundial.
Após chegar à cidade de Toscânia, na Itália, Guido (Roberto Benigni) passa a viver situações embaraçosas as quais consegue sair ileso quase sempre em todas elas, até ao momento em que vê cair do alto o amor de sua vida, Dora (Nicoletta Braschi). A cada encontro inesperado, Guido procura de todas as maneiras conquistar o coração de sua principessa Dora, já comprometido com outro homem. Mas com muita alegria e perseverança, Guido conquista sua principessa e com ela tem um filho: Giosué. E juntos eles seriam felizes para sempre… até que… tudo muda!
Filho de judeus, Guido é mandado para o campo de concentração nazista, juntamente com seu pai e filho. Dora ao saber da notícia, mesmo não sendo judia, pede aos generais que também a conduza ao campo de concentração. A partir de então Guido usa a imaginação e a criatividade como armas para fazer seu filho acreditar que tudo não passa de uma grande brincadeira e que a cada tarefa realizada, mais pontos eles ganharão para conquistar o tão desejado prêmio: um tanque de verdade! Giosué custa a acreditar, mas aos poucos começa a cair na brincadeira e a participar efetivamente.
Enquanto isso, na ala das mulheres, Dora sente o coração oprimido pela realidade da guerra. Seu coração de mãe e esposa parece ver minguar as esperanças de reencontrar sua família.
Mas Guido não desiste, e assim como conquistou o coração de Dora, tenta agora conquistar a liberdade de sua família, em especial, a de seu filho. A cada ponto somado, Giosué obedece as orientações de seu pai, que corre contra o tempo para salvar seus familiares.
Com a guerra chegando ao seu término, a tensão aumenta e ainda que com pouca chance de saírem vivos, Guido se esforça e não deixa de lado, em nenhum momento, seus principais aliados: a imaginação e a alegria.
Lançado em 1998, A vida é bela ganhou diversos prêmios, entre eles 3 Oscar: melhor filme estrangeiro (o filme brasileiro Central do Brasil também concorreu nesta categoria); melhor ator (Roberto Benigni) e melhor trilha sonora drama, cuja autoria é de Nicola Piovani.
A trilha sonora de A vida é bela é de uma sensibilidade artística e musical incomparáveis. Poucos são os artistas que conseguem atingir tal grau de sensibilidade. A trilha sonora encaixa-se perfeitamente ao roteiro e ao desenrolar do filme, e parece até certo ponto substituir as falas dos personagens, algo muito difícil de ver na maioria dos filmes.
Roberto Benigni nos surpreende tanto quanto diretor quanto ator, sua atuação é magistral. Além de emocionar o público nos momentos dramáticos, Benigni tem a habilidade de emocioná-los nas situações cômicas.
Em um mundo em que muitos lutam para conquistar territórios, este filme é uma prova de que a esperança, o amor, a família, a alegria e a imaginação são capazes de superar todas as dificuldades e conquistar tudo o que sonhamos – eis porque a vida é bela!
Após chegar à cidade de Toscânia, na Itália, Guido (Roberto Benigni) passa a viver situações embaraçosas as quais consegue sair ileso quase sempre em todas elas, até ao momento em que vê cair do alto o amor de sua vida, Dora (Nicoletta Braschi). A cada encontro inesperado, Guido procura de todas as maneiras conquistar o coração de sua principessa Dora, já comprometido com outro homem. Mas com muita alegria e perseverança, Guido conquista sua principessa e com ela tem um filho: Giosué. E juntos eles seriam felizes para sempre… até que… tudo muda!
Filho de judeus, Guido é mandado para o campo de concentração nazista, juntamente com seu pai e filho. Dora ao saber da notícia, mesmo não sendo judia, pede aos generais que também a conduza ao campo de concentração. A partir de então Guido usa a imaginação e a criatividade como armas para fazer seu filho acreditar que tudo não passa de uma grande brincadeira e que a cada tarefa realizada, mais pontos eles ganharão para conquistar o tão desejado prêmio: um tanque de verdade! Giosué custa a acreditar, mas aos poucos começa a cair na brincadeira e a participar efetivamente.
Enquanto isso, na ala das mulheres, Dora sente o coração oprimido pela realidade da guerra. Seu coração de mãe e esposa parece ver minguar as esperanças de reencontrar sua família.
Mas Guido não desiste, e assim como conquistou o coração de Dora, tenta agora conquistar a liberdade de sua família, em especial, a de seu filho. A cada ponto somado, Giosué obedece as orientações de seu pai, que corre contra o tempo para salvar seus familiares.
Com a guerra chegando ao seu término, a tensão aumenta e ainda que com pouca chance de saírem vivos, Guido se esforça e não deixa de lado, em nenhum momento, seus principais aliados: a imaginação e a alegria.
Lançado em 1998, A vida é bela ganhou diversos prêmios, entre eles 3 Oscar: melhor filme estrangeiro (o filme brasileiro Central do Brasil também concorreu nesta categoria); melhor ator (Roberto Benigni) e melhor trilha sonora drama, cuja autoria é de Nicola Piovani.
A trilha sonora de A vida é bela é de uma sensibilidade artística e musical incomparáveis. Poucos são os artistas que conseguem atingir tal grau de sensibilidade. A trilha sonora encaixa-se perfeitamente ao roteiro e ao desenrolar do filme, e parece até certo ponto substituir as falas dos personagens, algo muito difícil de ver na maioria dos filmes.
Roberto Benigni nos surpreende tanto quanto diretor quanto ator, sua atuação é magistral. Além de emocionar o público nos momentos dramáticos, Benigni tem a habilidade de emocioná-los nas situações cômicas.
Em um mundo em que muitos lutam para conquistar territórios, este filme é uma prova de que a esperança, o amor, a família, a alegria e a imaginação são capazes de superar todas as dificuldades e conquistar tudo o que sonhamos – eis porque a vida é bela!
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Um Pouco de Cinema Paradiso
Nesta trama pungente e singela, o italiano Giuseppe Tornatore realiza uma das mais belas declarações de amor ao cinema. O protagonista desta história, já imortalizada na história deste gênero artístico-cultural, é de certa forma um alterego do cineasta, que se identifica profundamente com seu personagem Salvatore di Vita, renomado diretor de cinema que reside em Roma, quando é então surpreendido com a notícia da morte de Alfredo.
Imediatamente o artista se recorda de seu amigo, responsável pelo Cinema Paradiso, refúgio do garoto então conhecido como Totó. Para lá ele escapava sempre que era possível, e neste templo da criação ele foi iniciado pelo projecionista Alfredo, em meados da década de 40, na paixão e nas técnicas da arte cinematográfica.
Mas não é apenas Totó que é introduzido neste universo fascinante. É fácil para qualquer amante do cinema se identificar com as cenas que Tornatore seleciona em seu filme, tesouros que povoam as telas do Cinema Paradiso e encantam, seduzem, embriagam não só o menino fascinado com as imagens que se sucedem, mas também o público, que também tem ou está formando sua própria memória cinematográfica.
É com extrema habilidade e apurada emotividade que o diretor retrata a passagem do menino da infância triste, povoada pela morte do pai na guerra, para o universo adulto, através do cinema. É de forma poética que ocorre este amadurecimento do protagonista, que tem sua sensibilidade e seu olhar educados pelas imagens.
Depois que o jovem sofre uma profunda desilusão amorosa em seu relacionamento com Elena, filha do banqueiro de sua cidade, Salvatore se muda para Roma. Somente após a morte de Alfredo, trinta anos depois, ele retorna para sua inesquecível terra natal, Giancaldo.
Antes de voltar para sua cidadezinha, o cineasta relembra sua infância, quando ainda era o coroinha da igreja do Padre Adelfio e visitava secretamente o Cinema Paradiso. Seu aprendizado é tão eficaz que ele chega a elaborar suas próprias cenas com uma filmadora rudimentar, antes que o cinema seja incendiado e reerguido por um dos habitantes da cidade, recém-enriquecido; Salvatore se torna então o mais novo projecionista de seu recanto.
O tom melancólico desta produção é acentuado pela escolha de Ennio Morricone para compor a trilha sonora do filme, lançado em 1988. Além do mais, a preciosa cenografia e a sublime direção de arte conferem a esta obra, concebida e dirigida por Tornatore, uma aura inesquecível.
Tornatore capricha também no elenco. Ninguém nunca esquecerá esta dupla, o carismático Philippe Noiret como o mestre Alfredo, ao lado de seu aprendiz, o pequeno Totó, que conquista seu irresistível magnetismo da interpretação atraente de Salvatore Cascio, entre outros intérpretes encantadores que povoam esta poesia imagética.
Imediatamente o artista se recorda de seu amigo, responsável pelo Cinema Paradiso, refúgio do garoto então conhecido como Totó. Para lá ele escapava sempre que era possível, e neste templo da criação ele foi iniciado pelo projecionista Alfredo, em meados da década de 40, na paixão e nas técnicas da arte cinematográfica.
Mas não é apenas Totó que é introduzido neste universo fascinante. É fácil para qualquer amante do cinema se identificar com as cenas que Tornatore seleciona em seu filme, tesouros que povoam as telas do Cinema Paradiso e encantam, seduzem, embriagam não só o menino fascinado com as imagens que se sucedem, mas também o público, que também tem ou está formando sua própria memória cinematográfica.
É com extrema habilidade e apurada emotividade que o diretor retrata a passagem do menino da infância triste, povoada pela morte do pai na guerra, para o universo adulto, através do cinema. É de forma poética que ocorre este amadurecimento do protagonista, que tem sua sensibilidade e seu olhar educados pelas imagens.
Depois que o jovem sofre uma profunda desilusão amorosa em seu relacionamento com Elena, filha do banqueiro de sua cidade, Salvatore se muda para Roma. Somente após a morte de Alfredo, trinta anos depois, ele retorna para sua inesquecível terra natal, Giancaldo.
Antes de voltar para sua cidadezinha, o cineasta relembra sua infância, quando ainda era o coroinha da igreja do Padre Adelfio e visitava secretamente o Cinema Paradiso. Seu aprendizado é tão eficaz que ele chega a elaborar suas próprias cenas com uma filmadora rudimentar, antes que o cinema seja incendiado e reerguido por um dos habitantes da cidade, recém-enriquecido; Salvatore se torna então o mais novo projecionista de seu recanto.
O tom melancólico desta produção é acentuado pela escolha de Ennio Morricone para compor a trilha sonora do filme, lançado em 1988. Além do mais, a preciosa cenografia e a sublime direção de arte conferem a esta obra, concebida e dirigida por Tornatore, uma aura inesquecível.
Tornatore capricha também no elenco. Ninguém nunca esquecerá esta dupla, o carismático Philippe Noiret como o mestre Alfredo, ao lado de seu aprendiz, o pequeno Totó, que conquista seu irresistível magnetismo da interpretação atraente de Salvatore Cascio, entre outros intérpretes encantadores que povoam esta poesia imagética.
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